Pedimos a 19 médicos, enfermeiros  e paramédicos que nos dessem respostas directas. O que revelam pode salvar-lhe a vida.

O 112

«A negação mata. Sim, pode estar a ter um ataque cardíaco mesmo que só tenha 39 anos, ou esteja em boa forma ou seja vegetariano.»
Dennis Rowe, paramédico, Knoxville, Tennessee

«Não nos chame se tiver um dedo partido. Se não se tratar de uma emergência real, estará apenas a entupir o sistema.» 
Arthur Hsieh, paramédico, São Francisco

«A sua emergência pode não corresponder exactamente à nossa emergência. Na minha região, mandamos uma ambulância a todos os pedidos, mas não utilizamos as sirenes senão em situações de Código 1, o que significa que alguém está a sangrar, a ter dores no peito ou dificuldade em respirar – basicamente, sintomas que significam que pode morrer nos próximos cinco minutos.»
Connie Meyer, enfermeira, paramédica, Olathe, Kansas

«Telefonar de um telefone fixo pode salvar a sua vida porque conseguimos rastrear a sua localização de imediato. Se ligar de um telemóvel, gastamos imenso tempo a perguntar onde está e a procurar por si.»
Arthur Hsieh, paramédico

«Não desligue após dizer o que se passa de errado. O operador pode estar habilitado a dar-lhe indicações sobre manobras de reanimação ou sobre outros procedimentos que podem salvar vidas.» 
Dennis Rowe, paramédico

«É extraordinário o número de pessoas que conduz até às urgências hospitalares enquanto está a ter um ataque cardíaco. Devem ligar para o 112. Já imaginaram o que pode acontecer se o coração parar enquanto estão ao volante?» 
Arthur Hsieh, paramédico


Uma ambulância não é um táxi fino
«Numa verdadeira emergência, não vamos andar 30km até um hospital que aceite o seu seguro se houver uma boa unidade de saúde a 2km. Mas se houver mais do que uma urgência perto de si, saiba qual prefere, porque é possível que isso lhe seja perguntado. Saiba em que hospital trabalha o seu médico, qual é a unidade de traumatologia mais próxima e qual é o hospital que tem melhor cardiologia.»
Connie Meyer, enfermeira, paramédica

«Quando chegamos, não espere que digamos "Olá". Estamos concentrados no paciente. Assim que ele estiver estabilizado, faremos as apresentações.»
Don Lundy, paramédico, Charleston County, Carolina do Sul

«Na maior parte dos casos, não podemos transportar uma pessoa que não quer ir. O tio Manuel pode não se ter em pé, mas se não quer entrar na ambulância, temos que respeitar a sua vontade.»
Arthur Hsieh, paramédico

«Se o paciente está estável – e isso acontece em 97% dos casos –, não há motivos para andar a 100 à hora nas ruas da cidade. Alguma vez tentou introduzir um cateter no braço de uma pessoa na parte de trás de uma ambulância a grande velocidade?»
Don Lundy, paramédico

«Chegar numa ambulância não significa que vá ter um tapete vermelho à chegada às urgências. Vai passar pela triagem, como toda a gente, e, se não estiver doente ou ferido, vai esperar ... como toda a gente.»
Connie Meyer, enfermeira, paramédica


Sim, sabemos que está a apanhar uma grande seca
Também detestamos! Mas não se zangue connosco. Se está à espera, é por uma razão: não temos camas.»
Jeri Babb, enfermeiro, Des Moines, Iowa

«A altura mais movimentada começa lá pelas 6 da manhã. As segundas-feiras são os dias piores. Estamos mais folgados entre as 3 e as 9 da manhã. Se tiver escolha, venha muito cedinho.»
Denise King, enfermeira, Riverside, Califórnia

«As pessoas que vomitam as entranhas conseguem mais depressa um quarto. É que os funcionários não apreciam muito que se vomite na sala de espera.» 
Joan Somes, enfermeira, St. Paul, Minnesota

«Gostamos de desfechos rápidos, por isso não queremos que fique nas urgências enquanto espera para ser admitido. Se quiséssemos tratar de um só paciente durante horas, estaríamos numa enfermaria.»
Denise King, enfermeira

«Nunca diga a um enfermeiro: "Só tenho este corte na mão. Pode dar uma vista de olhos?" Isso só mostra que não faz a menor ideia de como funciona o serviço de urgência.»
Dana Hawkins, enfermeira, Tulsa, Oklahoma

«Não atire as culpas da sobrelotação das urgências para aqueles que não têm seguro. Esses representam apenas 17% dos pacientes. O problema subjacente é a sobrelotação dos hospitais no geral
Leora Horwitz, médica, professora assistente na Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, New Haven, Connecticut

É preciso que colabore
«Quando lhe dizemos "Vista esta bata", isso quer dizer que deve tirar a roupa para que o possamos observar. Atendi uma vez uma senhora que vestiu a bata por cima da roupa e do casaco.»
Allen Roberts, médico nas urgências, Fort Worth, Texas

Em caso de emergência:

- Leve alguém consigo ou encontre-se com alguém nas urgências.

- Faça uma lista e traga-a sempre consigo com: nome e número de telefone do seu médico assistente,
medicamentos que esteja a tomar, alergias a alimentos e medicamentos, historial clínico resumido, número de telefone de um parente ou amigo a contactar em caso de emergência.

- Introduza o nome e telefone da pessoa a contactar também no seu telemóvel.

- Assegure-se de que o número da sua porta é claramente visível da rua. Quanto mais depressa a equipa de paramédicos o encontrar, mais depressa o vai ajudar.        
                  
Becky Batcha



«Não temos tempo para ler o historial de todos os pacientes. Assim, se, por exemplo, estiver com dores de estômago, diga-nos se já teve uma apendicite ou se foi operado à vesícula. Poupa-se tempo e recursos.»
Dana Hawkins, enfermeira

«Seja honesto em relação ao que se está a passar. Não seja hipocondríaco e não responda "sim" a tudo. É que isso só vai fazer mal ao seu diagnóstico.»
Técnico de emergência médica, Middlebury, Vermont

«Tive uma vez um paciente que me disse que não tomava medicamentos. Mais tarde, referiu que era diabético. Olhei para ele e perguntei se tomava insulina. Respondeu que sim. Bom, a insulina é um medicamento.»
Allen Roberts, médico

«Se as suas crianças não foram vacinadas, diga-nos. É uma informação importante para nós.»
Marianne Gausche-Hill, médica nas urgências, Torrance, Califórnia

«Alguns hospitais não aceitam mais que um acompanhante por doente nas urgências por uma razão: só atrapalham. Escolha uma pessoa para entrar consigo, e ela se encarregará de fazer chegar a informação a quem estiver na sala de espera.»
Donna Mason, enfermeira, consultora, Nashville, Tennessee

«Se lhe dizemos para ficar na cama, é a sério. Existem medicamentos que alteram a coordenação, e detestamos quando alguém cai.» 
Joan Somes, enfermeira

«Conte-nos sobre qualquer tratamento com ervas que esteja a fazer. Tratei uma vez um rapaz que tinha posto tintura "Aseptil Rojo" numas abrasões cutâneas. Isso fez que a sua urina ficasse vermelha – mas nós só descobrimos depois de um hemograma completo.» 
Marianne Gausche-Hill, médica

«Não é assim tão raro encontrar um doente que se recusa a fazer os testes que eu recomendo. Tive uma vez uma conversa estranhíssima com uma família que não acreditava na medicina. O que estava, então, a fazer nas urgências?»
Joan Shook, médica nas urgências, Houston, Texas


Não acreditamos em si
«Nunca, mas nunca, minta a uma enfermeira das urgências. Os seus detectores de aldrabice são extremamente apurados e você pode perder credibilidade quando mente.»
Allen Roberts, médico

«Alguns de nós são especialistas em "topar" pessoas que vêm buscar medicação para as dores – especialmente se for muito específico na medicação que quer, ou se não parecer estar assim com tantas dores.» 
Denise King, enfermeira

«Ouvimos todo o tipo de coisas esquisitas. Tive uma vez uma senhora que entrou lá pelas 3 da manhã e me dizia que tinha desmaiado durante o sono.» 
Médico nas urgências, Nordeste, subúrbios


Temos favoritos
«Livre-se da mentalidade do "tenho direito". Se isso já é mau na vida quotidiana, é mesmo muito mau nas urgências. Nós tratamo-lo, mas podemos não ser lá muito simpáticos.»                        
Allen Roberts, médico

«Fico louca quando os acompanhantes circulam pelos corredores a falar ao telemóvel. São do mais irritante que há.»
Joan Somes, enfermeira

«As suas queixas relativamente ao médico que o viu antes não o vão tornar mais simpático aos nossos olhos. Aliás, quanto mais você falar, menos nós queremos falar consigo.»             
Allen Roberts, médico

«Se chegar com um sintoma estranho ou nojento, iremos falar sobre si. Não falamos de si a pessoas de fora das urgências, mas, tal como toda a gente, os médicos e enfermeiros precisam de desabafar.»             
Médico nas urgências, Nordeste, subúrbios

 

14 razões para ir imediatamente às urgências:
1. Perda de consciência
2. Dores fortes no peito e na região abdominal
3. Fraqueza súbita ou dormência na face, braço ou perna
4. Alterações súbitas da visão
5. Dificuldades em falar
6. Graves dificuldades em respirar
7. Hemorragia que não estanca após
10 minutos de pressão directa
8. Qualquer dor súbita e aguda
9. Feridas grandes, como um traumatismo craniano
10. Confusão e desorientação inexplicadas
11. Vómitos e diarreia persistentes e significativos
12. Tosse ou vómitos com sangue
13. Reacções graves – ou a piorar – a picadas de insecto, alimentos ou medicamentos
14. Pensamentos suicidas



Só podemos fazer isto
«
Se entrar nas urgências com uma virose, não se admire nem se zangue se, quando sair, não saiba ao certo qual é o vírus. Se descartámos problemas graves, terá que ser seguido depois no seu médico de família.»
Jeri Babb, enfermeiro

«Ficar à porta a olhar para nós enquanto trabalhamos não é a melhor forma de conseguir que o seu ente querido seja atendido mais depressa. Estamos habituados a intimidações.»
Joan Somes, enfermeira

«Nem todas as urgências estão equipadas para receber crianças. Saiba junto do pediatra qual o hospital que recomenda.» 
Joan Shook, médica

«Não temos, de facto, nada a oferecer à pessoa que aqui chega com sintomas de constipação que duram há um dia ou dois. É uma perda de tempo para todos.»
Médico nas urgências, Nordeste, subúrbios

«Não é raro ver famílias que dão aos filhos uma dose maior de medicamentos para a asma. Não pode dar ao seu filho o dobro ou o triplo do que lhe foi prescrito.» 
Joan Shook, médica

«Porque existem hospitais que estão ultracongestionados, pode não ser possível sair da ambulância logo assim que chegamos ao hospital. Ficamos consigo até estar "nas mãos" dos enfermeiros. Fazemos o melhor que podemos neste cenário negro.»
Connie Meyer, enfermeira, paramédica

«Não, não faço a mais pálida ideia das coberturas do seu seguro!» 
Allen Roberts, médico


Fale, pela sua saúde
«Se o seu médico o manda para as urgências para que possa ser internado, peça-lhe que, em vez disso, envie as ordens para o hospital. É mais burocracia para o médico, mas pode ser mais rápido para si. E não nos entope as urgências com casos não-urgentes.»
Denise King, enfermeira

«Alguns pacientes guardam a informação que os seus médicos já lhes deram para ver se nas urgências dão o mesmo diagnóstico e tratamento. Não façam isso! Tudo o que conseguem é atrasar-nos.» 
Joan Shook, médica

«Um serviço de urgências numa zona rural pode não ter um médico especializado em medicina de emergência, e a possibilidade de contar com especialistas no quadro de pessoal é reduzida. Se acabar num hospital destes, peça para ser transferido para onde existam mais recursos.»
Robert Solomon, médico nas urgências, Waynesburg, Pensilvânia

«Se não percebeu bem o que tem que fazer quando sair das urgências, pergunte. E, se for necessário, pergunte outra vez. Não queremos que volte.»
Linda Lawrence, médica, San Antonio, Texas


Agradeça
«Nas urgências, são os enfermeiros que prestam a maioria dos cuidados. Seja simpático.» 
Donna Mason, enfermeira

«Há muitas pessoas que não fazem a menor ideia do quanto estiveram perto de morrer se não tivessem sido salvas por intervenções de emergência. Já vi pacientes com epilepsias gravíssimas, ataques cardíacos e politraumatizados levarem uma vida absolutamente normal após situações que lhes podiam ter custado a vida. Se ao menos soubessem ...»
Ramon Johnson, médico nas urgências, Mission Viejo, Califórnia

«O pessoal das urgências é especialista na caça à zebra – diagnosticar problemas pouco comuns – porque estamos a olhar para si com olhos "frescos". Já diagnosticámos casos de cancro e de tumores cerebrais nas urgências.» 
Joan Somes, enfermeira

«Somos os únicos médicos que o tratamos primeiro e só depois é que perguntamos se pode pagar. É por isso que cerca de um terço dos cuidados que prestamos não é pago – e perdemos 100000 dólares de lucro todos os anos. No entanto, continuamos a fazê-lo. Esta é a melhor especialidade do Mundo!» 
Ramon Johnson, médico


Ajude-se: aprenda técnicas de primeiros socorros
«Coisas tão simples como saber como fazer pressão para estancar ou diminuir uma hemorragia podem salvar uma vida», explica Marni Bonnin, médico nas urgências em Birmingham, Alabama.

Para ter sempre à mão: um Manual de Primeiros Socorros

 

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