A TRISTEZA E O PESSIMISMO pesam na nossa economia, na nossa saúde e nas nossas relações. Estragam os nossos presentes. Cheguei a estas conclusões através da minha experiência de vida e de encontros com filósofos, especialistas e empreendedores que promovem a importância vital do otimismo. As propostas que se seguem tornarão a sua vida mais bela – e as vidas das outras pessoas, porque o otimismo é contagioso. Eis como começar.
1 Cultive o pensamento positivo
Faz bem à saúde procurar emoções positivas – afeto, alegria, satisfação. As ligações entre o coração e o cérebro são bem conhecidas. Um único pensamento positivo pode desencadear neurotransmissores e hormonas benéficos. A oxitocina é a hormona do prazer, do amor e do orgasmo. A serotonina regula o nosso humor. A dopamina estimula-nos e dá-nos coragem. Um pensamento, um olhar ou um sorriso é o bastante para fazer baixar a tensão arterial e para nos fazer sentir melhor.
Ponha à prova estas certezas científicas. Ao acordar, demore-se um momento a pensar num sonho ou em algo agradável. Quando chegar ao trabalho, esqueça o trânsito infernal ou o mau tempo. Partilhe algo de bom.
Quando um condutor parar para o deixar passar, sorria e acene. Nesses momentos, sentir-se-á a relaxar e a ser invadido por uma boa sensação.
2 Não confie na sorte
Depois de um revés, muitas pessoas queixam-se: «Eu não tenho sorte nenhuma!» A verdade é que a sorte não existe. As pessoas que, aparentemente, têm sorte vão ao encontro daquilo a que Maquiavel chamava boa fortuna. Têm iniciativa e estabelecem contactos com muitas pessoas, o que aumenta as possibilidades de encontrarem a sua alma gémea, um emprego ou o apartamento ideal. É energia – e não sorte. É força de vontade, espírito de conquista, de andar para diante. É fundamental nunca perder o ímpeto.
Não acredite que será sempre bafejado pela sorte. Digamos que tem de apresentar um projeto. Tudo está a correr lindamente. Mas nada sai dali. A pessoa com quem está a falar não está interessada, mas não o quer aborrecer ou sequer perder tempo a discutir. Em contrapartida, muitas propostas que obtêm respostas negativas acabam por ter um resultado positivo.
O princípio básico: nada corre tão bem quanto pensamos, nem nada corre assim tão mal. Os otimistas sabem que não podem tomar nada por garantido e que tudo tem de ser conquistado.
3 Mantenha a vontade de aprender
Aos pessimistas falta curiosidade. Perdem a oportunidade de descobrir coisas novas. Os otimistas são curiosos sobre tudo. A curiosidade é a pedra angular do conhecimento. O desejo de aprender é uma forma de controlar o nosso ego, a tentação de achar que se sabe tudo. Adquirir novas capacidades, incluindo técnicas, alarga os nossos horizontes e faz-nos mais felizes. O progresso recompensa os nossos esforços e contrabalança retrocessos e frustrações.
4 Assuma responsabilidades
A maior parte de nós não partilha os seus aborrecimentos e preocupações com a família, os amigos ou os colegas. Poupamo-los. Mas, para compensar, acabamos por nos tornar desconfiados em relação ao mundo. Criamos um universo virtual em que tudo é interpretado negativamente, inflamando os medos sobre crime e imigração, mesmo quando há poucas razões para ter medo. Nas sondagens realizadas nos últimos vinte anos, o desemprego está sempre em alta, mesmo quando está em baixa e o poder de compra dos cidadãos está sempre em queda, mesmo quando está a aumentar. O exagero de riscos e de sofrimento é um fenómeno coletivo, que pode afetar-nos individualmente. Luta por fazer chegar o dinheiro ao fim do mês? Comece por não exagerar no sofrimento. Considere também o que está a correr bem, as coisas que conseguiu alcançar. Em vez de se queixar, olhe à sua volta e procure pessoas que tenham problemas semelhantes e possam, eventualmente, ajudá-lo.
Se algo está errado na sua casa ou no seu trabalho, assuma a responsabilidade. Está em si a solução.
5 Ponhas as coisas em perspetiva
Porquê dar toda a importância a tudo o que nos acontece? Dê um passo atrás e ponha os acontecimentos em perspetiva, comparando-os com outros que já lhe aconteceram.
Isto não é o mesmo que distanciar-se da realidade – é dar-lhe o seu devido lugar. A quem duvida disto, recomendo que ouçam os testemunhos de mulheres vítimas de cancros reincidentes, que, uma e outra vez, lutam e descobrem novas razões para viver e ter esperança. Frequentei workshops sobre o bem-estar e vi pessoas que não sentiam pena de si próprias. Sentiam, isso sim, uma vontade incrível de melhorar. As suas frustrações e preocupações são, na realidade, assim tão importantes?
6 Não acredite no «antigamente é que era»
Ser otimista significa que se vive no presente, sem nos estarmos permanentemente a atormentar com a ideia de que antigamente é que era bom ou que a felicidade é algo que virá depois, mais tarde.
Disse o filósofo francês André Comte-Sponville que «não faz sentido esperar pelo que não se tem sem apreciar o que se tem». Ao não viver plenamente o momento presente podemos perder experiências satisfatórias. É uma filosofia da felicidade. É no aqui e agora, no carpe diem dos mais velhos que devemos aprender com os nossos erros e êxitos, melhorando sempre, não desperdiçando oportunidades e, claro, nunca adiando nada.
7 Veja o mundo como ele é
O otimismo não consiste em ver o mundo mais bonito do que ele é. Nem, pelo contrário, mais feio do que ele é. Sim, o mundo é incerto, tal como vimos na Revolução Industrial e no advento do transporte ferroviário. Naquele tempo, o medo que as pessoas sentiam era ainda maior.
Mas o mundo é também maravilhoso. Os progressos na ciência, na medicina e na tecnologia nunca foram tão espetaculares! A cada ano, desde 1990, ganhamos cerca de três meses de esperança média de vida. As soluções para a fome, para a falta de água potável e para os vírus nunca estiveram tão perto. E mesmo que isto seja insuficiente, nunca se tomaram como hoje tantas decisões importantes sobre o aquecimento global, as crises económicas e financeiras e os direitos humanos.
Vamos parar de ver o mundo como um copo meio vazio. Não está. Está cheio de promessas.
8 Se não estiver convencido, finja
Reflita na declaração do escritor Georges Bernanos: «A única diferença entre o otimista e o pessimista é que o otimista é um tolo alegre e o pessimista é um tolo triste.»
Ainda não se decidiu? Finja! Expresse gratidão, todos os dias, a alguém que tenha sido simpático para si. Respire... e sorria.
Guarde na memória pensamentos positivos e sonhos e pense neles sempre que uma emoção negativa se tente instalar.
Crie uma caixa das delícias que contenha fotos das pessoas de quem gosta e momentos de puro prazer. Rapidamente vai descobrir que isso lhe faz bem.
Vai aperceber-se em breve de que isto lhe fará bem, e tem um efeito positivo também em todos os que o rodeiam.